As aranhas, frequentemente, causam  em muitas pessoas medo, aversão e repulsa. Em casos mais raros, esse medo manifesta por meio de  crises de pânico com suor frio e taquicardia,  que recebem o nome de aracnofobia. Nestes casos, a repulsão sentida pela pessoa é tão forte que é preciso ajuda de terapia para superá-la. Esse medo desmedido provavelmente tem raízes culturais e se relaciona à aparência das aranhas e ao veneno que elas produzem.

Quimicamente, o veneno das aranhas é uma complexa mistura de diferentes substâncias. Há grande variedade de venenos e todas as aranhas possuem glândulas de veneno, assim, todas são venenosas, especialmente para suas presas. No entanto, dentre as mais de 40.000 espécies de aranhas, somente  duzentas são perigosas  e têm potencial para causar a morte de seres humanos. Essas espécies estão agrupadas em quatro gêneros:  Atrax, Latrodectus, Loxosceles e Phoneutria.

Estima-se que  anualmente, no mundo todo, estas aranhas causem a morte de aproximadamente 200 pessoas.

Atrax  (aranha teia de funil)

É nativa da Austrália e uma das mais venenosas do mundo. Seu corpo mede entre 1 e 5 cm. O veneno provoca dor, tremores, cãibras musculares, confusão visual e paralisia dos centros respiratórios. Apesar disto, em mais de 100 anos de relatos, somente houve doze acidentes fatais.

Atrax robustus

fonte da fotografia: Britannica.com

Latrodectus (viúva-negra)

A viúva negra é uma aranha  muito pequena, com cerca de 1 cm de comprimento. Caracteristicamente, possui abdome negro com uma mancha vermelha na região ventral (há espécies com manchas brancas ou marrons). Costuma viver em locais escuros e abrigados, em gramados, parques, jardins. No Brasil frequentemente são encontradas nas regiões litorâneas, especialmente da região Nordeste.

O nome popular das aranhas do gênero Latrodectus, viúva-negra, se deve ao fato de que a aranha macho morre logo após a fertilização da fêmea.

A fêmea geralmente é maior e é a causadora da maioria dos acidentes.

No momento da picada geralmente não dói, mas alguns minutos depois pode surgir dor intensa, tremores, sudorese, cãibras. Os músculos abdominais ficam rígidos. O rosto fica vermelho, os lábios e pálpebras inchados.  A rigidez da musculatura pode se estender aos músculos respiratórios, produzindo parada respiratória e morte. O tratamento com soro específico traz bons resultados.

fonte da fotografia: http://www.umm.edu/imagepages/19582.htm

Loxosceles  (aranha marrom)

As aranhas marrons não são agressivas e os acidentes geralmente ocorrem como forma de defesa, pois elas entram em sapatos, tênis e se escondem nas roupas e quando nos vestimos ou calçamos, comprimimos o animal contra o corpo. As aranhas marrons são muito pequenas, o corpo mede cerca de um centímetro de comprimento (na foto uma aranha marrom ao lado de uma tampinha de refrigerante), mas isso não as torna inofensivas.

Aranha marrom-1Aranha marrom-10

Aranha marrom (Loxosceles intermedia)

A picada não dói, mas em algumas pessoas, no local surgem feridas profundas e extensas. Estas feridas surgem pela ação de um dos diversos compostos que constituem o veneno, a enzima esfingomielinase.  Sem tratamento o veneno pode causar falência  renal e morte.

Para neutralizar as toxinas circulantes  no sangue, deve ser aplicado soro específico, o soro antiloxoscélico, que é produzido pelo Instituto Butantan.

Como a picada da aranha-marrom não dói e os efeitos no local surgem depois de algumas horas,  as pessoas só procuram ajuda quando o ferimento já está se desenvolvendo. O problema é que essa ferida é de difícil tratamento e pode levar meses para cicatrizar. Em alguns casos, é preciso fazer enxertos de pele para reparar os danos.

Fotografia em http://www.ces.ncsu.edu/depts/ent/notes/Urban/recluse.htm

Em 2012, segundo o Ministério da Saúde, em todo o país ocorreram 7434 acidentes com aranhas marrons (com 3 óbitos) , sendo mais da metade deles (4091) no Paraná, especialmente em Curitiba (1357).

As aranhas marrons costumam se abrigar nas casas, onde se escondem em caixas, gavetas, sapatos e no guarda roupa, por isso é preciso cuidado ao colocar a mão em locais onde elas possa estar escondidas. Limpar os pátios das casas, evitando entulhos e acúmulo de papéis também é um modo de reduzir os riscos de acidentes. A aranha marrom não constrói teias circulares, mas produz um emaranhado de fios nos lugares onde se esconde.

Fotografia em http://www.cit.sc.gov.br/index.php?p=aranhas

Um predador importante de Loxosceles, são as lagartixas.

Phoneutria (aranha armadeira)

São as aranhas mais venenosas. Em contraste com as espécies descritas acima, a armadeira é muito agressiva, ao se sentir ameaçada, levanta os dois pares de pernas dianteiras e se apoia nas traseiras,  mostrando as manchas listradas abaixo das pernas como sinal de alerta.

Fotografia em: http://www.ceo.org.br/estudos/preven.htm

As armadeiras podem atingir de 3 a 4 cm de corpo e até 15 cm considerando o comprimento das patas.  São animais que podem buscar abrigo no interior das casas ou no meio de folhagem, como na bananeira.  Os acidentes ocorrem  dentro das residências ou no meio rural durante a colheita da banana, por causa disso, nos Estados Unidos esta aranha é conhecida como aranha da banana.

A picada causa intensa dor local, tremores, taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), vômitos, suor frio. Em testes em laboratório, constatou-se que a aranha pode injetar 8 mg de veneno em uma picada, o que, teoricamente, seria capaz de matar 300 camundongos. Apesar disso, os casos de morte pela picada de Phoneutria são relativamente raros, pois o uso de soro específico é muito eficaz.  Em 2012, foram 3538 acidentes com aranhas armadeiras no Brasil, com um óbito registrado.

Professor: depois de abordar essas informações com os alunos, estimule-os a produzir um folheto com instruções sobre como prevenir acidentes com aranhas e que medidas tomar no caso de acidentes. Chame a atenção para o fato de que as aranhas são relativamente pequenas e à exceção da viúva negra, Loxosceles e Phoneutria costumam se esconder dentro de casa. Destaque ainda que Atrax não ocorre no Brasil.

No endereço eletrônico:

http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/home faça a busca RENACIAT e entre na página com a lista dos  endereços e telefones dos diversos Centros de Informações Toxicológicas nos Estados, neles é possível obter informações sobre como proceder em casos de acidentes com aranhas ou quando houver suspeita deste tipo de acidente.

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