Nas regiões Sul e Sudeste do país, a partir de novembro/dezembro, dos ovos da mariposa Lonomia obliqua começam a eclodir. Deles saem as pequenas lagartas que constituem  um dos estágios do desenvolvimento destes animais. Durante cerca de três meses, essas lagartas se alimentam e sofrem mudas que permitem o seu crescimento até um tamanho de cerca de 7 a 8 cm de comprimento. A partir daí, elas estão prontas para se transformar em pupas, de onde, cerca de três meses depois surgirão as mariposas adultas.

 

Ciclo vida Lonomia

imagem no endereço eletrônico: http://www.intranet.rj.gov.br/exibe_pagina.asp?id=1614

 

 

 

 

 

Ao se aproximarem da fase de pupa, as lagartas descem da copa das árvores e permanecem agrupadas perto do solo.  Alimentam-se à noite e empupam no solo. Nessa ocasião, com os animais já bem desenvolvidos e reunidos em altura média sobre o tronco das árvores, os acidentes são mais prováveis.

Lagartas de Lonomia obliqua têm coloração marrom acinzentada/esverdeada e possuem espinhos ramificados (como pinheirinhos) e pontiagudos sobre o dorso (costas). Observe abaixo, o aspecto da lagarta.

ImagemAgora observe a fotografia abaixo e note que sobre o tronco de árvores cobertas por líquens, o animal se torna quase imperceptível. O que aumenta em muito perigo  de acidentes. A árvore da foto é um plátano, árvore exótica à qual os animais parecem ter se adaptado com facilidade. No Brasil, Lonomia também já foi observada em cedros, ipês, figueiras do mato, abacateiros, pessegueiros, pereiras, ameixeiras e figueiras, entre outras.

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Nos endereços que se  seguem disponibilizei três filmes de alguns segundos mostrando os animais em movimento.

http://youtu.be/0m6qo8B8I3s

http://youtu.be/LyD_q5usU80

http://youtu.be/q9PYmHSH1e4

Nos espinhos da lagarta há uma toxina cujo modo de atuação ainda não está bem esclarecido, mas que causa dor intensa, sensação de queimação, inchaço e vermelhidão locais.  Entre 24 e 72 horas após o acidente pode se instalar um quadro hemorrágico, com o aparecimento de hematomas (manchas roxas). Podem ocorrer sangramentos dos mais diversos órgãos abdominais; dos pulmões; de articulações e de mucosas, como a gengiva.

Entre 5 a 10% dos casos pode haver insuficiência renal aguda.

Os casos mais graves podem levar a óbito. 

Lonomia é a lagarta mais perigosa, no entanto, há outras que também podem causar muita dor, queimação e em algumas pessoas, podem causar complicações mais graves.

O animal abaixo é a lagarta de uma mariposa do gênero Podalia sp., também conhecida como bicho-cachorrinho ou lagarta-gatinho. As cerdas aparentemente macias escondem espinhos que liberam uma toxina extremamente irritante que produz grande dor e queimação locais. 
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Podalia-11

Aspecto da porção ventral da lagarta.

Além dessas que mencionei anteriormente, há uma grande variedade de lagartas que provocam queimação na pele e grande desconforto.

Como regra é importante orientar os alunos para que NUNCA toquem lagartas que possuem pelos ou espinhos, porque todas, em maior ou menor grau, provocam irritação local. Mesmo animais que possuem apenas pequenos tufos de cerdas são perigosos.

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Lagarta verde e vermelho-6

Na região norte do país, especialmente Acre e Pará, a lagarta do gênero  Premolis semirufa conhecida popularmente como pararama,  é a causa de acidentes  que afetam principalmente  os trabalhadores dos seringais, que por causa da profissão, mantêm repetidos contatos com a lagarta e suas cerdas que geralmente ficam sobre o tronco das seringueiras.  Por algum motivo ainda desconhecido, após repetidas queimaduras, a toxina  provoca artrose progressiva, conhecida na região como reumatismo dos seringueiros. Os trabalhadores afetados pela doença perdem os movimentos das mãos e não podem trabalhar.

Full-size image (45 K)     As imagens acima são do site: http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0190962212006238  e as fotos de Ronaldo Monteiro Costa, MD. O raio-X mostra  as alterações ósseas provocadas pelo “reumatismo dos seringueiros”. Na imagem acima à esquerda, a lagarta pararama no tronco de uma seringueira.

Como agir em casos de acidentes com lagartas?

Segundo informações do Centro de Informações Toxicológicas de Santa Catarina (http://www.cit.sc.gov.br/index.php?p=lagartas), devemos:

- lavar imediatamente a área afetada com água e sabão;

- usar compressas com gelo ou água gelada para auxiliar no alívio da dor;

- procurar o serviço médico mais próximo;

- se possível, levar o animal para identificação.

Depois de conversar com os alunos mostrando o perigo representado pelas “lagartas de fogo”, destaque que essas toxinas, verdadeiras armas químicas, são mecanismos de defesa dos animais para evitar a ação de predadores.

Muitas das substâncias produzidas pelas lagartas vêm sendo pesquisadas na tentativa de encontrar compostos que possam ser utilizados como medicamentos. Por exemplo, se a toxina de Lonomia provoca dificuldade de coagulação, substâncias ali presentes podem ter aplicação em doenças em que ocorre a  formação de trombos (coágulos), como a trombose.

É importante destacar também que o aumento do número de acidentes se deve a desequilíbrios ecológicos causados pelos seres humanos que, ao promoverem grandes desmatamentos afastam alguns dos predadores naturais das taturanas.