Com a copa do mundo, o tatu-bola, um animal endêmico da fauna brasileira, será o mascote do torneio e naturalmente despertará a atenção de todos. Por isso, atividades envolvendo esses animais tão pouco conhecidos são muito oportunas.

As 30 espécies de tatus habitam a América do Sul, Central e sul do continente norte-americana. Têm hábitos noturnos e vivem e se escondem em tocas escavadas no solo, por isso, são pouco conhecidos e pouco vistos. Todas se caracterizam por apresentar placas que formam uma carapaça resistente e protetora. Essa “armadura” possui um número variável de anéis ou cintas que lhes dão certa flexibilidade.

A maior espécie vivente é o tatu-canastra (Priodontes maximus), que chega a medir um metro de comprimento (só a cauda pode ter  50 cm) e ter massa superior a 60 kg. O menor tatu  (Chlamyphorus truncatus) tem o tamanho da palma da mão (entre  8,5 cm e 12 cm), vive no chaco argentino e possui placas rosadas no dorso e longos pelos brancos nas laterais do corpo. Há cerca de 20 mil anos atrás, viveu na região que hoje corresponde ao estado do Tocantins, um tatu muito grande, com 2,5 m de comprimento e 80 kg de massa. Um fóssil desse animal gigante foi encontrado em 2012, em uma caverna no Tocantins. Outros fósseis ainda  maiores  foram descobertos em Minas, Piauí e na Argentina e receberam o nome de Pampatherium. Estes animais provavelmente chegaram a ter massa entre 100 e 200 kg.

A parte dianteira do tatu gigante

ilustração em http://extra.globo.com/noticias/saude-e-ciencia/fossil-de-tatu-gigante-descoberto-em-caverna-no-tocantins-3797166.html

Nos dias de hoje, no Brasil, a espécie,  (Tolypeutes tricinctus)  tem a capacidade de se enrolar, formando uma bola perfeita, daí o nome popular que recebem: tatu-bola. Por essa característica, o tatu-bola, foi o  escolhido para símbolo da copa do mundo de 2014.

Scan-005

O ato de se enrolar é uma forma de defesa, pois as placas que recobrem o corpo dos tatus são rígidas e conseguem proteger do ataque de alguns predadores. No entanto, a maioria dos tatus é incapaz de se enrolar completamente como o tatu-bola e para se defender escondem-se em tocas que escavam no solo com auxílio de suas poderosas garras dianteiras.

Os tatus olhos dos tatus são pequenos e pouco eficientes, por isso, eles se  orientam principalmente pelos sons e pelo olfato. Para procurar alimento cheiram e escavam o solo freneticamente, colam o focinho no chão e, quando encontram alimento (insetos, principalmente formigas; larvas; minhocas e animais em decomposição), rapidamente o abocanham e engolem.  Os tatus fazem parte de um grupo anteriormente designado de DESDENTADOS ou EDENTATA, no entanto, eles não são realmente desprovidos de dentes, na verdade há espécies, como o canastra que têm cerca de 100 dentes, mas eles são pequenos e bem simples.

Imagem  Tatu galinha (Dasypus novemcinctus)

P1050615P1050618

O tatu cava o solo em busca de alimento.                                                                                                    Para isso usa as fortes patas dianteiras.

No endereço: http://youtu.be/iRuEL9gURM4, disponibilizei pequeno filme que mostra um tatu-galinha jovem, em busca de alimento. Convide os alunos a assistir ao filme com bastante atenção. Sugira  que eles, primeiramente, assistam ao vídeo por completo, depois peça que o vejam novamente e observem com atenção diversas características do animal, como:  as orelhas  (posição, tamanho, movimentos); o movimento das placas articuladas quando o tatu se move; o tamanho dos olhos; o modo de engolir rapidamente a presa. Peça que procurem relacionar algumas destas características anatômicas do animal a seus hábitos de vida. O tatu galinha tem entre 8 e 10 cintas, mas comumente 9, o que foi a característica usada para a denominação da espécie : Dasypus novemcinctus (novemcinctus = 9 cintas). A partir desta informação questione os alunos sobre o número de cintas que podem ser observadas no tatu-bola.

Utilize o desenho abaixo para mostrar como o esqueleto das patas anteriores é adaptado à atividade de cavar o solo.

Imagem

ilustração baseada em Vertebrate Life – Bough e al. Pearson.

Peça aos alunos que observem que em 1, há  expansões ósseas para a fixação dos grandes músculos que permitem ao animal cavar o solo endurecido. Em 2, destaque que o osso rádio é curto, dando mais eficiência à ação da musculatura. Os ossos do carpo, metacarpo e falanges (3) são bem curtos, em compensação, as garras são longas  e fortes (4) para escavar o solo. A extremidade muito alongada da ulna (5), dá maior eficiência aos movimentos produzidos pelos músculos.Pata de digitígrado - cão

A estrutura esquelética da pata anterior do tatu pode ser comparada à estrutura de  membros superiores de outros mamíferos, por exemplo, dos cães, que são animais adaptados para correr e que se apoiam sobre os dedos e por causa disso são denominados digitígrados. Na ilustração, 2 representa o tarso, 1 são os ossos do metatarso e 3 as falanges, sobre as quais o animal se apoia ao caminhar.

Os alunos podem ser estimulados a pesquisar outras formas de locomoção apresentadas pelos mamíferos: plantígrados, como os seres humanos que caminham sobre a planta dos pés ou ainda os ungulígrados que se apoiam somente na última falange dos dedos, a qual geralmente é protegida por cascos, por exemplo, os cavalos e veados. Essa discussão se torna mais interessante se for direcionada para as vantagens adaptativas de cada uma destas estruturas, relacionando-as ao ambiente e aos hábitos de cada um destes animais.

Postei mais algumas fotos do tatu galinha em meu blog planetabio.wordpress.com. Aproveite-as.