Em 22 de outubro, foi notícia mundial a situação  vivida pela população da cidade de Harbin, na China. Naquele dia, a poluição atmosférica na região chegou a um valor 40 vezes superior ao que a Organização Mundial de Saúde (OMS) admite.

Para a OMS, a presença de 25 partículas finas por metro cúbico no ar é o máximo tolerável. Na segunda feira 21 de outubro, segundo a agência ambiental chinesa, a cidade registrou 1000 partículas finas por metro cúbico.

Como resultado, a paisagem local mudou, a visibilidade chegou a menos de 50 metros.

Cidade de Harbin envolta na poluição.

Cidade de Harbin envolta na poluição. Foto Reuters.

A cidade tem cerca de 11 milhões de habitantes e são deles os relatos mais vívidos do problema:

Dói respirar, você não vê muitas pessoas nas ruas. Alguns colocam três máscaras no rosto antes de sair.”

Todos os alunos chegaram atrasados à aula porque não conseguimos achar o prédio da universidade.

Quando acordei abri a janela de casa e fiquei chocada: não se via nada.”

Poluição Harbin - China 1

foto AFP

E qual a causa do problema?

Segundo noticiários locais a situação ambiental se agravou por causa da entrada em funcionamento das usinas termoelétricas, fonte de energia para a os sistemas de calefação que fazem o aquecimento dos prédios durante os meses mais frios do ano.

Essas termoelétricas são movidas a carvão e geram grandes volumes de poluentes que são lançados na atmosfera. O carvão é considerado uma fonte “suja” de energia, porque sua queima emite o grande volume de dióxido de carbono (CO2), além de outros compostos, alguns deles responsáveis pela chuva ácida.

Mas não foram somente as termoelétricas que causaram o fenômeno. Associados aos poluentes gerados pelas usinas,  há também aqueles produzidos pelas fábricas e os poluentes emitidos pelos escapamentos de milhões de veículos. Juntos, esses fatores transformaram a cidade de Harbin em uma cidade fantasma, ou fantasmagórica.

Poluição Harbin - China 3  foto Xinhua

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                                                                                                     foto AFP/Getty Images

Um dos diretores do  departamento de proteção ambiental, resume o  que acontece na região: “no momento, as emissões poluentes totais superaram a capacidade ambiental“. O meio ambiente tem condições de dissipar componentes que poluem a atmosfera, mas  acima de certo limite, a dispersão dos poluentes fica comprometida. É o  que acontece em Harbin.

Para tentar diminuir o imenso problema, as autoridades estabeleceram algumas ações emergenciais: a interdição de obras, a paralisação de indústrias, a proibição da realização de fogueiras e churrascos ao ar livre,  a suspensão das aulas  e a restrição à circulação de veículos.

Mas o que são poluentes atmosféricos e quais suas consequências?

Segundo o CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente): considera-se poluente qualquer substância presente no ar que, pela sua concentração, possa torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, causando inconveniente ao bem-estar público, danos aos materiais, à fauna e à flora, ou seja prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade (Resolução n° 03/90).

Os poluentes atmosféricos podem ser  gases ou  partículas. Alguns são naturais, como os gases e cinzas vulcânicas, outros são artificiais porque gerados pela ação humana, como por exemplo  os resíduos gerados pela queima de combustíveis fósseis (carvão, gasolina, querosene) ou de lenha e álcool entre outros.

A poluição atmosférica  pode ter repercussões sobre os seres vivos que habitam a região.

Os animais em geral  sofrem problemas respiratórios.

Os seres humanos, me particular, podem apresentar dor de garganta, tosse, falta de ar, alergias, asma,bronquite,  tontura, dor de cabeça.  As plantas podem ter sua capacidade de realizar fotossíntese comprometida.

Apesar da situação em Harbin, neste momento ser crítica, a adoção de ações e políticas que busquem preservar o meio ambiente pode amenizar o quadro atual. No passado, outras cidades já sofreram com a poluição e conseguiram reverter o problema. Para isso é necessária a conscientização e ação de todos em busca de um objetivo comum: a conservação do meio ambiente.

Pittsburgh, USA, século XIX. A ilustração retrata a grande poluição causada pelo uso do carvão nas indústrias que se multiplicavam.

Pittsburgh, USA, século XIX. A ilustração retrata a grande poluição causada pelo uso do carvão nas indústrias que se multiplicavam.

Professor: discuta com os alunos o “progresso a qualquer preço”. Destaque que situações como essa devem ser prevenidas, porque os processos para revertê-la são demorados, caros e não evitam os prejuízos e os males acumulados ao longo do tempo. Sobre a emissão de dióxido de carbono, no endereço http://edgar.jrc.ec.europa.eu/overview.php?v=CO2ts1990-2011&sort=des9 há uma tabela que lista os países e sua produção de CO2 nos anos de 1990 a 2011. A China é o maior produtor mundial desse gás, seguida pelos Estados Unidos, Índia e Rússia. Procure mostrar que todos nós temos parcela de contribuição a dar na preservação do meio ambiente. No caso da poluição atmosférica, podemos colaborar ao usar menos os carros e ao evitar a realização de queimadas, por exemplo.